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Níver da Lua
Gabriel Silveira
Aquela, que é a mais linda
e que luz do sol empresta,
hoje, pra sorte de todos,
está em clima de festa.
Que Ele dê, a ti,
toda augusta bondade
que já deu a todos nós
na forma da tua amizade.

Beijos querida LuaChris pelo teu aniversário.
Dos feitos sombras por teu reflexo iluminado,
os Literatos.

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16.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Tarde para saber
Guilherme L. Póvoas (jihad)
Quando acordou, levantando-se como uma larva permutando à borboleta, percebeu por sua vontade ao encarar o dia: era segunda-feira. Todos os prazeres - sentimentais, pois eram os que mais lhe satisfazia - do sábado e domingo foram-se com as páginas da agenda vazia. Agora lhe restará as listas de tarefas com horários definidos. Nem espaço para as poesias e contos, as folhas datadas lhe permitiam. Nem tempo. Sentia saudades dos momentos em que o sol lhe esquentava as roupas no alto de quatro andares. Inseguro, ficou com medo de nunca mais viver coisa assim. Menos mal que pouco daquilo já havia sido contado.
E nas cobranças da labuta, ardiam em suas temporas a necessidade da privação dos prazeres também em finais de semana. Houve momentos em que tinha tempo para regar um jardim imenso. Doravante, o pouco de romantismo que sobra nele, espera água para viver. Era tarde para saber: é momento de conquista. E as chances de vitória foram-se.

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14.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Reaching horizons
Gabriel Silveira
Chegou no trabalho atrasado. Seu olhar estava caído, sua língua carregava o pastoso e amargo sabor do dissabor. Passou entre corpos que vagavam no ambiente petrificado pelo futuro, depois sentou-se e pôs-se a digitar. Volupiosamente discorria em temas abstrusos, pranteando copiosamente seus versos sem destino, até que procurou seus olhos uma luz no outro extremo do terreno-faida. Ela crescia, verde, brilhante, em horizonte úmido, até que tocou-lhe os lábios, derreteu-lhe a máscara e o transportou para o paralelo. Lá estavam crasculáceas brotando em cantos encantados. Ele sentiu o sabor de hortelã, depois kiwi. Sorriu. Pôs-se, então a voar entre a relva esmeralda que, mergulhada em um sei-que-tu-me-sabes, deu-lhe o frescor das manhãs, cantando-lhe minuetos da paixão, esquecidos já há muito no seu passado. Passado. Passado. Ele sentiu a palavra. Passado, falou novamente. Passado. Seus pés perderam a magia, o vento parou. A crasculácea voltou para a sombra. O hortelã caiu no amargo e o minueto transformou-se em silêncio opaco. Ele agachou-se, pediu perdão a Virgílio e disse, sincero, Ainda não está terminado, ainda não, há mais, há muito mais, talvez só um pouco mais. Virgílio expôs-se em voz e, A paciência é a virtude mais bela do homem de bem. Então pegou a sua mão, o trouxe até o mais alto posto da virtude e mostrou-lhe a imensidão da evolução. Sagaz é o homem que venceu a própria sagacidade. E deixou-o a contemplar o anil infinito das terras do futuro, as montanhas da sabedoria e os lagos da pureza cristalina. Ele ficou ali, contemplando, contemplando, chorou, voltou ao quarto, despertou e evoluiu.

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13.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Na placidez do sonho
Gabriel Silveira
Tirou do ombro um pesado fardo que carregava. Tirou os chinelos cheios de terra seca, triste, seguiu caminhando sem pausas, sem receios, sem pensamentos, sem raciocínio. Só sentimento. O anil descolorindo a noite no crepuscular augusto da manhã fazia fundo à paisagem de pedra parda, fraca em cor, contrastando com o raiar da maré que jogava lembranças à grande pedra que prostrava-se ao oceano como um grande e triste (como todos o são) navio. Tirou a máscara e deixou à mostra o sangue pleno escorrendo de sua face como pranto de vida, arrependimento final. Rasgou o próprio peito, arrancou seu coração como uma fruta por demais madura e contemplou-o em nostalgia. Largou-o ao chão. Não, jogou-o ao chão. Depois voou para o erro eterno sem encontrar as águas, sem encontrar o céu, sem encontrar a paz.

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Soneto da Lembrança
Gabriel Silveira
Não fossem teus olhos profundos
como é profundo o por Netuno presidido,
outros olhos talvez me fizessem encanto
e por rasos mares talvez fosse coagido.

Não fosse teu lábio o mais saboroso
tal qual a mais saborosa das frutas a brotar,
outros lábios, por certo mais desgostos,
no amargo contemplariam o meu beijar.

Não fossem teus negros cabelos,
mais negros que o firmamento estrelado,
outros fios, mais secos, mais mortos,
à diurnidade obscura me fariam condenado.

Não fosse tua face linda
de beatitude não esperada
Eu estaria ainda no que finda.

Não estivesse, em tua alma tenaz,
minha poesia perdida, ainda,
eu cairia, morto desta paixão Ferraz.

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11.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Recado
Gabriel Silveira
Ele chegou até a porta dela, genuflexou-se ao chão e colocou um pequeno pedaço de papel por debaixo da porta, que dizia assim:
Oi.
Vim aqui deixar um oi,
de alguém que não se vai,
mas que uma vez se foi
para nunca mais voltar,
e que agora vem falar,
quer dizer, dizer um oi.

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8.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Dizer a verdade, nada mais do que a verdade
Gabriel Silveira
A literatura nada mais é do que a aurora do coração. Ela somente vem clarear o que no coração já impera; ela somente vem trazer a luz a tudo que está escondido na soturnez de nossa angústia da rotina; ela nada cria mas embeleza; tudo nela é verdade, muitas vezes mais verdadadeira do que o próprio mundo o é.

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6.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Nos ares
Gabriel Silveira
Em sonhos, ela chegou ao seu lado, olhou-a com olhos de ariana e perguntou:
- Tu acreditas em amor à primeira vista?
Ele baixou os olhos, riu-se mostrando as covinhas, e respondeu, sabiamente:
- Eu somente acredito em amor à primeira vista.
Ela sorriu e acreditou.

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5.9.04<$BlogDateHeaderDate$>

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Oração do Poeta ao mundo abstrato
Gabriel Silveira
Obrigado senhores da alma por concederem-me a benção da profundidade.

Obrigado por concederem-me a pena de sentir a dor. Porque faz mister sentir a dor para saborear todas as nuâncias do amor verdadeiro.

Obrigado pela pena da amargura, porque quem não a sente também não prova da doçura mais doce da paixão eterna.

Obrigado pela pena da angústia porque os que nela não mergulham não emergem à alegria única das realizações.

Obrigado pela pena de entir o mundo porque é da pena que o mundo nasce, a vida desperta e o pranto eterniza.

Bem-aventurados os que desta fonte não bebem porque eles não conhecem os verdadeiros prazeres do mundo.

À vida, à pena.

Assim seja.

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