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Chuva ácida de um redator V ¿ O moldar da paciência
Gabriel Silveira
Em um mundo de cores insossas, quem brilha é o cinza. Desperta, recorta, embreta, entorta, cria caminho sem deixar rastros, abre clareiras entorpecidas pelo destino sem especular, sem previsão, só sábia espera, tempo-ao-tempo, visão não-turva de tudo. Não-sei-o-que o é odioso porque está Zarathustra novamente. Está Zarathustra novamente. Nem cantos de deusas nem mantos de deuses nem demônios de tantos o conformam e ele cavalga sobre santos, sobre a multidão, sobre as cabecinhas pensativas com seus mínimos probleminhas daquele não-sei-o-que odioso misturado a um fétido e interminado eu-sei-o-que mais caótico do que o primeiro. Mas tudo é dolorido no mundo de Zarathustra. Mortais choram menos do que semi-anjos inconformes. E tudo parece como antes nos ares da maldita. Tanta doçura atemporal na suavidade daqueles sons e aqui tudo trash, tudo ontem, não-depois, sim-agora. Então nada quebra-galho, tudo é escangalho, tudo é ato falho. Eu morro, me embaralho, me vou ou não ou fico ou era. E o cinza cessa insosso e a cor volta a não ser.
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