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Per mi se va...
Gabriel Silveira
O fidalgo ergue o rosto, esbanja otimismo ao ousar o inglês e diz, sereno: "Desculpa-me por não ter nascido em teu país; desculpa-me por não ter nascido do teu lado; mas quero que saibas que ainda que o mundo dissesse não, eu te diria sim; te diria sim." Ela olhou-o, depois ousou mirar o chão por alguns segundos como quem procura sentido para o que não há, como quem procura cor onde há cinza ou branco onde há cores; depois voltou a olhar para ele e sorriu como quem procura a verdade mas não pode aceitá-la (só os corações sem convicção aceitam o além), aí calou-se. Calou-se sem nunca ter falado. E assim foi. E ainda hoje o fidalgo consegue ver a cena da despedida daquela noite, daquela vida: ela virando-se sorridente, em slow motion doce, vibrando em ondas lentas, indo-se a despejar doçura e encantos, deixando um rastro de amargura e solidão entre os soldados tolos e tão mágicos a contemplar seu encanto que não era mais, só era outro. Os outros dois entreolharam-se, miraram o fidalgo que ainda estava virado, como uma bússola viciada, na direção da outra, e só conseguiram ver nele o de sempre: a razão submersa, afogada, em um peito inundado pela paixão eterna do amor errante; pelo carma infindo de buscar o que não é entre manchas eternas do coração.
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