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Per mi se va...
Gabriel Silveira
O fidalgo ergue o rosto, esbanja otimismo ao ousar o inglês e diz, sereno: "Desculpa-me por não ter nascido em teu país; desculpa-me por não ter nascido do teu lado; mas quero que saibas que ainda que o mundo dissesse não, eu te diria sim; te diria sim." Ela olhou-o, depois ousou mirar o chão por alguns segundos como quem procura sentido para o que não há, como quem procura cor onde há cinza ou branco onde há cores; depois voltou a olhar para ele e sorriu como quem procura a verdade mas não pode aceitá-la (só os corações sem convicção aceitam o além), aí calou-se. Calou-se sem nunca ter falado. E assim foi. E ainda hoje o fidalgo consegue ver a cena da despedida daquela noite, daquela vida: ela virando-se sorridente, em slow motion doce, vibrando em ondas lentas, indo-se a despejar doçura e encantos, deixando um rastro de amargura e solidão entre os soldados tolos e tão mágicos a contemplar seu encanto que não era mais, só era outro. Os outros dois entreolharam-se, miraram o fidalgo que ainda estava virado, como uma bússola viciada, na direção da outra, e só conseguiram ver nele o de sempre: a razão submersa, afogada, em um peito inundado pela paixão eterna do amor errante; pelo carma infindo de buscar o que não é entre manchas eternas do coração.

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13.1.05<$BlogDateHeaderDate$>

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Personagens de minha vida
Guilherme Póvoas
São pessoas como você que me deixam vivo e, ainda mais importante, vivendo.
Não sei quando Deus irá externar mais uma lua como a de ontem. Se depender só da lua, Ele a colocaria todos as noites, pois o que o satélite natural da terra viu, fez com que se sentisse suficientemente forte para disputar a vaga de expectador também da manhã, com o sol. Uma madrugada brasileira, caribenha, até, ainda, ao menos que ao lento fraquejante triste, européia - ou européia até onde a latinidade permitiu. Ou quem sabe, até, talvez, latina até onde a européia permitiu.
Mas não ficam calados aqueles que prometem seguir a vida com fé para mostrar, mas não para provar (pois isto não precisam), que são pessoas como você que me deixam vivo e, ainda mais importante, vivendo.

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6.1.05<$BlogDateHeaderDate$>

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Tsunami
Gabriel Silveira
As cabeças imersas. Sempre imersas. Parecem estar presas ao mar, no involuntário cárcere da eternidade. Jogadas umas sobre as outras e sobre os próprios sonhos, contemplam o imerso imenso que caiu sobre o mundo em pose contemplativa, subalterna. O choro pálido dos pássaros é trilha macabra da rasteira vingança de Netuno. Abaixo dele, domina só o cheiro pútrido da úlcera aberta, o fedor rebelde que surge em regougos dispersos, um a um, todos a todos, dominando as ventas egoístas que só choram o seu próprio nojo, neste fuste interminável que restou sobre o mundo, sobre a Terra de Cima, hoje tão ironicamente rebentada pela Terra de Baixo, a maior. Não há contagem dos que foram, há a dos que ficaram. E se há início após o fim, vida após esta, é só ela que há, pois aqui ficou a morte, ficou o gemido impotente dos salvos e o silêncio indiferente dos perdidos. Ficou a culpa de todos. Ficou a submissão, o grito supremo e vadio da submissão. O escárnio divino contra os que nunca foram e que, aqui, nunca hão de ser. Fica o vazio de almas, o arroubo de corpos e o esquecimento precoce que logo chega, com o egoísmo a tira colo. Nesta rota estamos todos. E os olhos voltar-se-ão para dentro, os corações voltar-se-ão a endurecer e as cabeças voltar-se-ão a imergir. Uma a uma.

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