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Ave, nobre
Guilherme Póvoas
Vou te contar a história de uma galinha. Era ela e mais três, numa meia-cerca, atrás da casa de uma velha idosa, vivendo de milhos espalhados pelo galinheiro durante as tardes de sol. O causo é da galinha rosa - a branca, a marrom e a preta eram quietas, sem brilhantinas no ego. Bem ao contrário da azul, que já não estava mais por lá. Pelas manhãs, a galinha rosa sorvia a poeira da fazenda levantada pela Kombi do marido velho da idosa, sorvia a duras penas pequenas, que nesta hora não pareciam mais rosas, bolas. Mas, vivente, o sonho dela era conseguir voar. É ruim, nem na caçamba bamba da camioneta preta do leiteiro, e nem na do pedreiro, ela conseguia se jogar, avoar, nem pensar. Ao contrário da galinha azul, ela era rosa, sem portfólio, tão pouco forma de aerofólio, para pular e se manter por lá, lá por cima.
Com o tempo ela foi deixando a esperança se perder pelo galinheiro. Não tinha jeito: era com ela o problema. A mania de se rebaixar era, além de egoísta, também antropocêntrica. Era um estorvo, reles vida, cacarejar e, na obrigação, colocar ovo. Mas, ah, a esperança. Podia até tirar a vida de alguém, mas não seria morte morrida por desgosto. A galinha rosa tentava voar, continuava, e não tinha agricultor, daqueles de posses grandes ou pequenas, dali da região, que não a avistavam, por vezes zombavam, da mania daquela ave. Mas que coisa chata, correria todo dia para tentar ficar alguns segundo a mais do que o normal, do natural, permitia.
Sem jeito, e sempre sem argumento, a galinha rosa, já bem desbotada, acabada, estancou seu sonho, suponho, pois não agüentava mais correr. Assim, sem correr, passou a temer - pois não poderia voar - a morte.

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15.6.06<$BlogDateHeaderDate$>

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Como se culpa o escritor que o é, bonitos são os nãos, os que escrevem por escrever, escritura sem sentido, carente de motivo, órfã de estímulo. Estes não são escritores, são lindos corredores donde vazam as fortes águas da poesia, inundando dias sedentos, colorindo mundos desaturados, maravilhando mentes acostumadas. E como nos culpam eles.

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