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Leite derramado
{oLiterato on-line }

27.5.07

Quero ela viva
Guilherme Póvoas
Acendeu três velas. Para Deus, para o diabo e mais uma para garantir - era o retrato do desespero. Mandou e-mail, mensagens por celular, carta, fax e... ah! mandou recados por amigos em comum. Olha, ainda acho que aquela terceira vela era para o Negrinho do Pastoreio, dizem que ele ajuda a achar - além de objetos - também pessoas, inclusive as mais amadas. Querida, desapareceu na noite fria e não voltou mais com os cigarros e o vinho argentino barato de rubrar lábios, dentes e línguas. Barato mas argentino, por supuesto. Para quem ela está olhando, ou para que belezas naturais fugiu os seus olhos. Agora, ele fica sozinho com seu estômago vazio e a cabeça cheia, respondendo às reclamações do estômago. Sem forças mais, mas em seus primeiros sinais de fraqueza. Quedou-se diante da porta, ela deve abrir. Não volta mais mesmo. E quê? Powe on. Play. Já é Simone e Sartre, não precisa mais de mim. Mas antes de andar por campos elísios ou minados de grandes morangos, ela suspirou devagar em seu ouvido: "Acredite em mim." Pelo menos foi isso que falou a amada. Agora, ela tem um imenso e veloz cavalo negro montado por um ágil negrinho a lhe procurar. Seja onde for.
Dito por GUILHERME L. PÓVOAS em 01:44 Comentários:




15.5.07

À mãe distante
Gabriel Silveira
Busquei um verso longo,
de milhares de kilômetros,
que fosse uma imensa ponte,
destas pontes disfarçadas
de árvore natalinas e que,
como todas as pontes,
ligaria lugares demasiado próximos
para estarem distantes.

Mas era trabalho para um Eiffel e cansei.

Busquei um verso lindo,
inundo de imágens e metáforas,
que fosse um reflexo dourado
deste sentimento-obra-prima
de cores alaranjadas e que,
como qualquer obra-prima,
concentraria sensações
para a eternidade.

Mas era trabalho para um Goya e enlouqueci.

Busquei um verso curto,
com mais sentidos do que palavras,
que tomasse o caminho mais breve,
belo e barato em direção aos salões
do materno coração e que,
como qualquer verso curto,
falaria com a mesma intensidade
da intensidade de um pensamento.

Mas era trabalho para um Leminsky e fui curto.

Busquei um verso cinematográfico,
com gente feito personagem,
vinte e quatro emoções por segundo
e uma hora e meia de aventuras,
perseguições amorosas e que,
como qualquer bom filme de amor,
teria final feliz
e reencontro emocionado.

Mas era trabalho para um Zefireli e fui mudo.

Busquei, busquei e busquei
um verso que fosse completo,
com perguntas e respostas,
talvez até um pouquinho de certezas.
Mas vi que nada era tudo e que
nada rima com a verdade.
E dizem que verso que é verso
da verdade não se orgulha.

Mas era trabalho para mim e fui persistente.

E não sendo Eiffel ou Goya,
Leminsky ou Zefireli,
acabei rimando assim, foi o que pude:
Saudades de ti, mãe do filho.
O filho da mãe te ama.
Dito por GABRIEL SILVEIRA em 09:47 Comentários:




Hay que escribir por escribir. Luego, al encontrar la entrada de la habitación maldita, hay que deslizarse serenamente por debajo de la puerta, tranquilamente buscar el interruptor y luego prender la luz que iluminará los caminos que uno anda buscando, ya tanto tiempo hace. Después de todo eso, basta con fijarse bien en cada detalle de los carteles mal pegados en la pared, estudiar el suelo cambiante que del césped va al parquet y de ese al ladrillo, mirar con esmero cada una de las rayas coloridas que dan a la pieza este aspecto tan infantil y, cuando uno completa dichos primarios movimientos, ya es hora de que sepa exactamente qué es lo que pasa en dicha habitación, que compreenda las reglas y leyes a que uno se submete estando en tal lugar y que tome la decisión de seguir adelante o volver atrás. Y eso significa volver al mismo salón donde la vida seca y incolor está encerrada. Uno ríe de si mismo al piensar en tal posibilidad, señal clarísimo de que ya ha recordado de todo lo que ha venido hacer. Pero las mentes también suelen engañarse y aún más que los corazones. Sobretodo cuando ya se sabe de dichas reglas, cuando ya se tiene consciencia de que la gravedad, aquí, no es la misma gravedad; de que la noción de bueno y malo, aquí, tiene sus conceptos multiplicados de tal forma, que es imposible llevar a cabo cualquier tipo de condenación o, y sobretodo, de absolución; de que a este sítio no se pertenece, no se es, no se compra, pero se vive y solamente si compreendemos de un todo este mundo increíblemente cruel y bonito, al cual los pringados seres humanos lo decimos fantasioso.

Por eso uno tiene que escribir por escribir, porque al no encontrar un rincón - aunque lo busque intensamente - que le pertenezca aquí, en el lado colorido del mundo, uno puede divertirse viniendo así, no más, cuándo le viene bien, o quizás venga cuando lo decidan estos, los que ya han dominado la suprema forma de ser todo sin tener nada.
Dito por GABRIEL SILVEIRA em 08:44 Comentários:




6.5.07

Alface cru
Guilherme Póvoas
Eu cansei de bater cabeça. Mas, dizem, a esperança é a última que morre. E eu continuo carregando um resto de "vai dar certo". Que errou fui eu, como um desvio padrão esperado. Mas vou passar o resto da vida com o peso de sete chagas sobre o meu corpo. Por isso, tenho esperança. Em cada lágrima, cai esperança.
Dito por GUILHERME L. PÓVOAS em 12:47 Comentários: